Trajetória profissional
Alexandre Horta e Silva nasceu em 1958 e construiu sua trajetória profissional ao longo de mais de três décadas de prática clínica contínua. Médico, psiquiatra e psicanalista, escolheu desde cedo dedicar-se à psiquiatria e à psicanálise não como esferas distintas, mas como territórios em diálogo permanente com a experiência humana e com o tempo histórico em que se inscrevem.
Sua atuação clínica não se baseia em uma formação dupla exercida de forma alternada, mas em um trabalho que emerge do encontro contínuo entre esses dois campos. A experiência médica permite o reconhecimento dos fenômenos clínicos, de suas manifestações e de seus riscos. A formação psicanalítica, por sua vez, amplia esse olhar, permitindo que o fenômeno não seja tomado como um dado fechado, mas interrogado em seu modo de funcionamento, em suas sutilezas e em seus efeitos na vida da pessoa.
Há situações em que não se observa um quadro patológico evidente, mas em que o sujeito se movimenta de forma desorganizada, fora dos parâmetros habitualmente esperados. Em outros casos, o discurso pode parecer coerente, enquanto o funcionamento revela impasses profundos. A clínica exige atenção a esses descompassos, que nem sempre se apresentam de maneira explícita.
A partir dessa leitura ampliada, a atuação não se restringe nem à interpretação do discurso, nem à resposta exclusivamente medicamentosa. O trabalho se dá na articulação entre a psiquiatria — com o uso de medicação quando necessário — e a escuta psicanalítica, atenta àquilo que muitas vezes escapa ao que é dito, aos elementos que permanecem fora do relato, mas que estruturam os impasses e o sofrimento apresentados.
Essa abordagem possibilita uma compreensão mais ampla do quadro clínico, evitando reduções apressadas e rótulos diagnósticos rígidos, e favorecendo intervenções ajustadas à singularidade de cada percurso.
Embora essa articulação constitua o eixo central de sua prática, o atendimento pode ocorrer exclusivamente no campo da psiquiatria ou da psicanálise, conforme a natureza da demanda clínica e a escolha do paciente.
A formação em psicanálise, nesse contexto, não é compreendida como um complemento, mas como um percurso rigoroso e contínuo de pós-formação. Trata-se de um caminho que envolve anos de análise pessoal, supervisão clínica individual e em grupo, além de estudo teórico permanente, sustentando uma prática em constante reflexão e atualização.
Mais do que a adesão a correntes teóricas históricas específicas, a psicanálise é aqui entendida como um campo vivo de pensamento, em diálogo com a filosofia, a cultura e as transformações da sociedade atual, buscando responder aos impasses e às questões próprias do tempo presente.