ALEXANDRE HORTA E SILVA PARTICIPA DO PROGRAMA EM DIA PARA DEBATER CULPA PARENTAL, LIMITES E EDUCAÇÃO DOS FILHOS
Alexandre Horta e Silva e a psicóloga e neuropsicóloga Luciana Fortes de Cerqueira participam do programa Em Dia, da VTV/SBT, para uma conversa sobre culpa parental, limites, frustração e os desafios contemporâneos da educação dos filhos.
Hoje, 20 de maio, às 17h30, Alexandre Horta e Silva e a psicóloga, terapeuta cognitivo-comportamental e neuropsicóloga Luciana Fortes de Cerqueira participam do programa Em Dia, apresentado por Flávia Lombardi, da VTV — afiliada do SBT.
A conversa terá como ponto de partida o texto “O fardo da maternidade: culpa, limites e responsabilidade na educação dos filhos”, publicado recentemente na seção Textos e Reflexões do site.
O debate abordará temas como culpa materna, parentalidade contemporânea, limites na educação dos filhos, tolerância à frustração, autoridade parental, desenvolvimento emocional infantil e os desafios psicológicos envolvidos na criação de crianças na atualidade.
A partir de diferentes perspectivas clínicas — Psiquiatria, Psicanálise, Terapia Cognitivo-Comportamental e Neuropsicologia —, a conversa discutirá questões relacionadas ao sofrimento psíquico parental, à dificuldade contemporânea de impor limites e à importância da construção gradual da autonomia emocional da criança.
A transmissão pode ser acompanhada pelo canal oficial do programa no YouTube: https://youtube.com/live/nhoR2DPLX3Y?feature=share
O FARDO DA MATERNIDADE: CULPA, LIMITES E RESPONSABILIDADE NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS
A culpa materna tornou-se um dos eixos centrais na forma contemporânea de compreender o sofrimento infantil. Mas até que ponto essa lógica apaga o lugar da criança como sujeito? Uma reflexão sobre limites, frustração e responsabilidade na educação dos filhos.
Você é culpada até que se prove o contrário. Pobres mães.
Por que iniciar de forma tão desalentadora uma reflexão que pretende, na medida do possível, aliviar as imensas cargas lançadas sobre os ombros de quem cria e cuida dos filhos? Hoje, além do cuidado materno, as crianças frequentemente recebem uma série de intervenções e assessorias — entre elas, especialmente no campo psicológico, a psicoterapia.
Como queixa recorrente em consultório, ouço das mães que, em vez de haver uma ação mais direta sobre os filhos, elas próprias acabam sendo acusadas por falhas de conduta. O problema do filho, afinal, recairia sobre a mãe.
Uma delas relata:
“Tenho três filhos e, apesar de criá-los de forma bastante semelhante, sou acusada de cometer verdadeiros ‘pecados mortais’ com um deles, enquanto os outros estão bem. Cada um veio de um jeito muito diferente, mas, na argumentação do psicoterapeuta, sou eu quem ‘pisa na bola’ justamente com aquele que está em tratamento. Sinto-me acusada, em dívida, mesmo fazendo o máximo que posso. Parece coisa de filme policial americano: ‘você tem o direito de ficar calada, e tudo o que disser poderá ser usado contra você’. A diferença é que, na terapia, não posso — e nem quero — ficar calada. Mas falar parece piorar minha situação.”
A culpa que recai sobre a mãe
Essa lógica de culpabilização materna não se limita ao espaço terapêutico. Ela atravessa o ambiente familiar, circula entre gerações e se manifesta nas relações mais próximas. A mãe se vê frequentemente colocada sob julgamento — pelo pai da criança, por avós, por outras mulheres e, não raro, pela própria mãe.
A culpa não vem apenas da clínica; ela se distribui no tecido familiar e encontra respaldo em um discurso contemporâneo sobre maternidade e educação dos filhos que insiste em localizar na figura materna a origem privilegiada de tudo o que não vai bem.
Ela prossegue:
“Não me conformo em ser responsabilizada por tudo. Meu filho parece não ter qualquer implicação na própria vida. Quando quer algo, precisa ser na hora — coisas simples, como um brinquedo ou evitar uma tarefa escolar. Mesmo quando explico que não é possível naquele momento, ele insiste sem parar. A situação escala: grita, se joga no chão, repete o mesmo pedido incessantemente, até me levar à exaustão. Ouço frases como: ‘não quero fazer o que não gosto’ ou ‘por que não posso brincar, se é isso que quero agora?’.”
A criança como efeito dos pais
Ao retornar às conversas com a psicóloga, diz ouvir, com frequência, explicações que buscam compreender e contextualizar o comportamento do filho. Em alguns casos, pode haver uma tendência a interpretar esse comportamento predominantemente a seu favor, em uma cadeia de causas e efeitos nem sempre suficientemente consistente.
“Ele está assim porque tem uma prova e está tenso.”
Mas — questiona a mãe — não se deveria também ensiná-lo que, mesmo tenso, ele precisa cumprir suas responsabilidades?
O que se observa, em muitos contextos, é uma tendência a evitar qualquer frustração infantil, como se todo comportamento devesse ser compreendido e justificado — muitas vezes à custa de uma suposta falha materna.
Gradualmente, consolida-se uma leitura simplificada do desenvolvimento infantil, em que a criança aparece como resultado direto — e quase exclusivo — da ação dos pais, sobretudo da mãe. Apaga-se, assim, a dimensão própria do sujeito: sua forma singular de responder, de resistir, de desejar e de agir no mundo.
“Sou eu quem desencadeia tudo”, conclui.
“Onde está o meu filho nisso? Em que momento ele se constituirá como sujeito responsável?”
A recusa da frustração infantil
Aos poucos, ela relata ter sido capturada por essa lógica, tornando-se cada vez mais angustiada e sobrecarregada, tentando incessantemente ajustar-se para ser “uma boa mãe”.
“Tudo parece ter a ver comigo — e nada com as atitudes dele.”
E acrescenta:
“Tenho outros filhos, e não são assim. Pergunto-me: quando as coisas vão bem, não tenho mérito algum; mas, quando vão mal, a responsabilidade é inteiramente minha? Isso não é um absurdo?”
Observa também uma mudança na forma como as crianças são tratadas:
“Vejo-as sendo tratadas como bibelôs, sem hierarquia — adultos e crianças no mesmo nível, como se a experiência não contasse. Tornamo-nos adultos culpados até prova em contrário, e nisso há uma enorme distorção.”
A perda de autoridade na escola
A escola, por sua vez, também parece atravessada por essa transformação. A autoridade do professor torna-se cada vez mais frágil, e sua margem de intervenção, mais restrita.
Cresce o receio de corrigir, de frustrar e de exercer qualquer forma de contenção que possa ser interpretada como excessiva. Em algumas instituições, a caneta vermelha foi desaconselhada: “traumatiza” a criança. As correções passam a ser feitas com cautela, para não desencorajar.
Muitas vezes, as crianças crescem sem sequer reconhecer claramente seus próprios erros.
Aos poucos, a função educativa vai sendo reduzida a uma dimensão quase exclusivamente técnica, como se ensinar pudesse prescindir da transmissão de limites, de referências e de diferenças entre posições.
Hoje, diz ela, há protocolos rígidos sobre o que pode ou não ser feito.
“Se realizarmos uma contenção física, corre-se o risco de ser criminalizado. Situações simples, antes resolvidas com um gesto firme, agora são interpretadas como agressão. E as crianças sabem disso — e se utilizam disso.”
Contenção não é sinônimo de violência
Relata um episódio:
“Encontrei meu filho de 10 anos batendo na irmã de seis. Ao repreendê-lo, ele respondeu que, outro dia, eu o havia puxado pelo braço — e perguntou por que eu podia fazer isso e ele não. Mas não se tratava da mesma coisa: eu o contive; ele estava agredindo a irmã.”
Ao levar o caso ao psicoterapeuta, ouviu que havia dado um “péssimo exemplo”.
“Disseram que eu deveria ter conversado. Mas eu já havia conversado inúmeras vezes, sem efeito. Não podia permitir que ele machucasse a irmã. A intervenção física, no caso, foi contenção — não agressão.”
Confunde-se, com frequência, contenção com violência, como se qualquer intervenção corporal implicasse necessariamente agressão.
No entanto, a contenção, em determinadas situações específicas, pode exercer uma função organizadora, oferecendo à criança um limite concreto diante de algo que, naquele momento, ela ainda não consegue regular por si mesma.
E conclui:
“As pessoas não são iguais. Para algumas crianças, a palavra basta; para outras, o tom precisa mudar; e há situações em que a palavra se mostra inócua. Existem também medidas corretivas — como retirar algo desejado — que podem funcionar, mas que, em certos casos, apenas agravam a situação, como um remédio que, em vez de aliviar a dor, a intensifica.”
O que está em jogo na educação dos filhos hoje
excesso de culpabilização materna
dificuldade de impor limites
recusa da frustração infantil
apagamento da responsabilidade da criança
Limites, frustração e a constituição do sujeito
Educar uma criança implica, inevitavelmente, introduzi-la à experiência da frustração. Frustrar não é falhar, assim como estabelecer limites na educação dos filhos não é exercer violência.
Ao contrário: é justamente na presença de referências claras — ainda que, por vezes, difíceis de sustentar — que a criança pode, pouco a pouco, se situar diante do outro e de si mesma.
Isso não significa atribuir à criança uma responsabilidade plena e precoce, tampouco eximir os adultos de sua função. Significa, antes, recolocar cada um em seu lugar: ao adulto, a responsabilidade de sustentar um campo minimamente estruturado; à criança, a possibilidade de, gradualmente, implicar-se em seus próprios atos.
Quando toda dificuldade é reconduzida a uma falha parental, corre-se o risco de produzir um duplo efeito: sobrecarregar os pais e, ao mesmo tempo, esvaziar a criança de sua condição de sujeito.
Sem a experiência do limite — elemento central na educação dos filhos —, não há responsabilização possível. E, sem isso, aquilo que poderia se constituir como processo de crescimento tende a se transformar em um circuito de repetição, cada vez mais difícil de interromper.
Em situações como essas, não é incomum que os pais se sintam desautorizados, confusos ou mesmo culpados por sustentar posições que, intuitivamente, reconhecem como necessárias.
Nesses momentos, pode ser importante contar com um espaço de escuta que não reforce automaticamente a lógica da culpabilização, mas que permita recolocar as questões em sua complexidade. Um interlocutor experiente, capaz de sustentar esse nível de leitura, pode não apenas oferecer respaldo, mas também ajudar a construir, junto aos pais, caminhos possíveis — sem simplificações e sem respostas prontas.
A MODA DOS DIAGNÓSTICOS NA MEDICINA: ENTRE CIÊNCIA, COMPORTAMENTO E SUBJETIVIDADE
Os diagnósticos médicos não estão imunes às tendências do seu tempo. Entre a classificação e a experiência singular do paciente, a prática clínica se constrói no espaço da escuta.
Tenho visto filmes que despejam uma enxurrada de propaganda de todo tipo de produto, como, por exemplo, roupas, vinhos, carros, sapatos e até medicações. Além dos produtos, há também a propaganda de comportamentos, isto é, de como e com quem podemos nos relacionar, incentivando práticas das quais não tenho nada contra. Porém, quero me ater à propaganda maciça lançada sobre nós, que se transforma em moda — e a moda dita as nossas vidas, por mais que queiramos acreditar no contrário.
A nossa escolha de qualquer coisa, falando de forma mais genérica, está influenciada pela divulgação direta, quando vemos o produto ou comportamento explicitamente, ou quando, de forma indireta, recebemos o conteúdo de maneira mais sutil.
Pensando na ciência — mais especificamente nos diagnósticos em medicina — quero chamar a atenção para a questão da moda.
Diagnósticos médicos e influência de tendências
Os diagnósticos médicos, por mais isentos que devessem ser, seguem, muitas vezes, movimentos que se aproximam de tendências. O interesse econômico e de poder rege o mundo e também atravessa a ciência médica. Quando, por exemplo, determinada medicação precisa ser amplamente utilizada, cria-se, direta ou indiretamente, um ambiente propício à legitimação de diagnósticos que sustentem o seu uso.
Além da aplicação lícita, embasada em critérios clínicos consistentes, há também um campo mais difuso, em que determinadas indicações se expandem para além de seus limites mais claros. Quando nos é dito que tal medicação pode ter efeitos desejáveis — como perda de peso ou melhora da potência sexual — é inevitável que se amplie o interesse pelo produto.
Os efeitos colaterais, por sua vez, também podem funcionar como forma indireta de divulgação — e de desejo —, ampliando a circulação de informações sobre determinado fármaco, mesmo quando não correspondem à sua indicação principal.
Não é raro que medicamentos indicados para o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) passem a ser procurados por um de seus possíveis efeitos colaterais, como a perda de peso. Em alguns casos, chegam a ser utilizados sem prescrição médica, adquiridos por meio de circuitos paralelos. Já recebi em consultório pacientes que faziam uso desses fármacos com essa finalidade. Trata-se de um uso que pode implicar riscos relevantes, tanto do ponto de vista físico — como alterações cardiovasculares — quanto psíquico, com a possibilidade de quadros de desorganização ou mesmo episódios psicóticos.
Comportamento, trabalho e medicalização
Voltando à questão do comportamento, gostaria de me deter em um ponto frequente na prática clínica: a relação do indivíduo com o trabalho.
Hoje, já não encontramos com facilidade termos coloquiais como “vagabundo”, que em outros tempos eram utilizados de maneira direta — ainda que muitas vezes carregados de julgamento. Em seu lugar, observa-se, em alguns casos, uma tendência à tradução imediata de determinadas posições subjetivas em categorias diagnósticas.
Sem negar a existência, a relevância e, em muitos casos, a gravidade de quadros como o TDAH — Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade — ou o TEA — Transtorno do Espectro Autista —, é possível observar também situações em que o diagnóstico aparece menos como resultado de um processo clínico rigoroso e mais como uma resposta rápida a impasses da vida cotidiana.
Não implica que o sofrimento envolvido nessas situações seja menor ou irrelevante — ao contrário, muitas vezes é justamente ele que leva o sujeito a procurar ajuda.
Há, portanto, um campo delicado, no qual se torna necessário distinguir entre o sofrimento psíquico propriamente dito e determinadas formas de posicionamento diante da vida — entre elas, a dificuldade, a recusa ou o desinteresse pelo trabalho.
Se conseguirmos nos afastar, ainda que momentaneamente, do peso moral e social envolvido nessa questão, poderíamos considerar que nem toda recusa ao trabalho corresponde, necessariamente, a um quadro patológico.
Quero deixar claro que me refiro a situações específicas que observo em consultório: pessoas de diferentes idades que recorrem à linguagem médica para explicar, ou por vezes justificar, modos de vida que não se enquadram nas expectativas sociais mais comuns.
Uma consulta diferente
O caso a seguir não pretende representar a totalidade das situações clínicas. Fui surpreendido, certa vez, por um jovem adulto de 23 anos que veio a uma consulta por pressão de sua família, inconformada com sua recusa em trabalhar.
Tivemos uma conversa insólita, dada a explicitude de sua fala. Exporei um pequeno trecho de nosso diálogo.
Paciente: Doutor, eu sou vagabundo. Não gosto de trabalhar, não gosto de livros. Ser mantido pela minha família é o que desejo — afinal, há dinheiro de sobra — e eu quero viver assim. Tenho as minhas aflições, mas a falta de trabalho não é uma delas.
Alexandre: Você é muito direto. Parece-me pouco preocupado com a sua imagem.
Paciente: Não mesmo. Esse tempo já passou. Eu não quero, diante de um médico, mentir a meu respeito. Sou o que sou.
Alexandre: É uma excelente ideia.
Paciente: Querem que o senhor me dê uma medicação para me curar da minha “vagabundagem”. Parece com a ideia da “cura gay”: o sujeito é homossexual e pronto — não há nada a curar.
Alexandre: Cada um é cada um, com as suas próprias condições. É assim, não é?
Paciente: Ótimo. O senhor é o primeiro a me dizer isso. Eu insisto: não sou deprimido, nem ansioso, nem tenho crises de pânico. Apenas tento manter a minha vida dentro do possível, desfrutando prazeres.
Alexandre: Quando você diz “dentro do possível”, entendo que há algo fora do possível, certo?
Paciente: Sim. As brigas com a minha família, com a minha namorada… Aí saio do conforto e entro no desprazer — mas isso eu aceito. Enfim, não quero que fiquem no meu pé, me pressionando. Obviamente, seria mais fácil se eu quisesse ou gostasse de trabalhar.
Alexandre: Você não considera a possibilidade de fazer algo dentro da faixa do prazer, mas que possa retirá-lo dessa pecha?
Paciente: Eu gosto de cozinhar. Pego uma receita, faço, e fica bom — dá certo, é um talento. Mas não quero ter um restaurante, como já me sugeriram.
Alexandre: Eu não tenho o menor interesse em transformá-lo num trabalhador. Como você veio até aqui, estou apenas tentando entender a situação.
Paciente: O senhor já entendeu — senão, estaria sendo moralista.
Alexandre: Isso é bom. Além de conversar, para melhor conhecê-lo, não tenho nenhuma proposta de medicação ou de oferecer-lhe um diagnóstico que abarque essa condição.
Paciente: Ah, que bom. Isso abre caminho para eu lhe falar das minhas receitas — fala jocosamente.
Alexandre: Interesso-me por isso — falei, sorrindo.
Paciente: Será uma ducha de água fria sobre minha mãe e minha avó. Quem sabe elas se convençam de que não sou doente — só não quero trabalhar.
Entre diagnóstico e escuta clínica
A prática clínica, nesses casos, não se orienta pela necessidade de enquadrar o sujeito em um diagnóstico, mas pela escuta do que, de fato, está em jogo em sua relação com a própria vida.
Nem tudo o que escapa às expectativas sociais é, necessariamente, patológico. Tampouco todo sofrimento pode ser resolvido por meio de uma classificação diagnóstica ou de uma prescrição medicamentosa.
Entre a patologização excessiva e a negação do sofrimento, há um campo mais exigente — e mais propriamente clínico — que demanda escuta, tempo e discernimento.
Isso não significa desconsiderar o sofrimento de quem procura ajuda, nem ignorar diagnósticos já estabelecidos. Ao contrário: significa tomá-los como ponto de partida, e não como ponto de chegada.
Muitas das situações que chegam ao consultório não são exceções isoladas, mas experiências que se repetem, cada uma à sua maneira, em diferentes trajetórias de vida.
Cada paciente traz consigo uma história, uma forma própria de sofrimento e também uma maneira singular de se posicionar diante da vida. É nesse espaço que o trabalho clínico se constrói — não na aplicação automática de categorias, mas na tentativa de compreender o que, para aquele sujeito, está em jogo.
Implica reconhecer que o sofrimento, mesmo quando não se organiza imediatamente em um diagnóstico preciso, não deixa de exigir atenção e cuidado.
Em alguns casos, haverá indicação de medicação; em outros, não. Em todos, no entanto, há a possibilidade de um trabalho clínico orientado, que não reduza a experiência humana a um rótulo, mas que também não a abandone à própria deriva.